O Clima sempre interferiu na vida humana, e o homem sempre teve curiosidade em saber o funcionamento dos fenômenos climáticos. Hoje com toda a tecnologia é possivel ver e prever o tempo com grande antecedência. Isso torna o ser humano menos vulnerável as intempéries, e pode planejar com mais segurança o seu futuro.
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
ANOMALIAS CLIMÁTICAS NA EUROPA
Imagem do dia 04 de junho.
Cientistas estudam anomalias meteorológicas recentes na Europa
Agência britânica promove reunião para avaliar causas de situações
anormais, como esta Primavera fria, que ainda traz neve à serra da
Estrela.
Neve voltou a cair em Junho na Torre Sérgio Azenha Se acha que a meteorologia está estranha, com neve em
Junho na serra da Estrela, a poucos dias do Verão, não está sozinho.
Cientistas britânicos estão reunidos nesta terça-feira na sede da
agência meteorológica do Reino Unido – o Met Office – para discutir as
possíveis razões de condições anormais do tempo na Europa nos últimos
anos, incluindo o frio persistente dos últimos meses.
“Temos assistido a uma
série de estações invulgares no Reino Unido e no Norte da Europa, como o
Inverno frio de 2010, o ano passado húmido e a Primavera fria deste
ano”, explica Stephen Belcher, director do Hadley Centre, o centro de
investigação climática do Met Office, num comunicado.
Em Dezembro
de 2010, o Reino Unido enfrentou um gélida onda de frio, com o
termómetro a descer a níveis inéditos nos últimos 100 anos. No Verão
passado, foi a vez da chuva, que fez daquela estação a segunda mais
húmida desde que há séries comparáveis de registos meteorológicos. Agora,
é novamente o frio. Segundo o Met Office, a Primavera de 2013 foi a
mais fria dos últimos 50 anos. Entre Março e Maio, a temperatura média
foi de seis graus Celsius – 1,8 graus abaixo do que o normal para o
período de 1981 a 2010. Em Portugal, as condições andaram pelo
mesmo quadrante. O país enfrentou o mês de Maio mais frio dos últimos 20
anos, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), com
0,84 graus Celsius abaixo da média. Embora Abril tenha sido ligeiramente
mais quente (mais 0,29 graus), Março foi bem mais frio (menos 0,76
graus) e extremamente chuvoso. Em meados de Maio, a neve caiu com
alguma intensidade na serra da Estrela. Em Junho, voltou a surgir, com
alguns flocos registados na Torre no passado dia 7, segundo informação
de um órgão de comunicação local. De acordo com o IPMA, havia de facto
condições para tal naquele dia, com precipitação e temperatura mínima
nos 0,3 graus Celsius nas Penhas Douradas, que está cerca de 600 metros
abaixo da Torre. As mesmas condições repetiram-se na madrugada de
segunda para terça-feira. O IPMA tinha previsto a possibilidade de neve
nos pontos mais altos da serra, embora não tenha tido a confirmação nem
do Centro de Limpeza da Neve, em Piornos, nem de comerciantes locais, de
que tenha de facto nevado. Neve na serra da Estrela em Junho é
tudo menos normal. “É uma situação muito pouco frequente, com uma baixa
probabilidade de ocorrência”, afirma a climatologista Fátima Espírito
Santo, do IPMA. Na estação meteorológica das Penhas Douradas, nos
últimos 70 anos há registro de neve em Junho apenas em 1984. Outras
estações climatológicas, entretanto desactivadas, detectaram neve em
Junho também em 1953, 1963, 1971 e 1977 – neste último ano, no dia 12 de
Junho. O que os cientistas britânicos vão discutir hoje é até que
ponto tais situações se devem apenas à variabilidade natural do clima –
que pode sofrer grandes oscilações de ano para ano –, ou se há outras
explicações. Ironicamente, uma das teses que têm vindo a ser
discutidas para explicar verões húmidos ou primaveras frias tem a ver
com o aquecimento da atmosfera. Um artigo publicado em Março do ano
passado na revista Geophysical Research Letters associa o
aumento da temperatura no Árctico com alterações nas chamadas “correntes
de jacto”, que sopram de oeste para leste, na alta atmosfera. O
Árctico está a aquecer a uma velocidade maior do que o resto do mundo,
em parte porque está a perder parte da sua cobertura gelada, que
reflecte a radiação solar. Expostos, o mar ou a terra absorvem mais
calor, amplificando o aquecimento. Com isso, a diferença de temperatura
entre as latitudes elevadas e médias é menor, o que faz com que as
correntes de jacto se tornem mais sinuosas, atrasando a progressão de
padrões atmosféricos. O resultado é um “aumento da probabilidade
de eventos meteorológicos resultante de condições prolongadas, como
secas, cheias, episódios de frio e ondas de calor”, escrevem os autores
do artigo, Jennifer Francis e Stephen Vavrus, das universidades
norte-americanas Rutgers e de Wisconsin-Madison. Seja qual for a
explicação, as notícias não são as melhores em Portugal para os
próximos dias, pelo menos em parte do país. No litoral norte e centro,
as nuvens vão continuar a cobrir o sol, com possibilidade de alguma
chuva fraca, segundo a previsão do IPMA. Em Lisboa, a temperatura subirá
até ao fim-de-semana, mas apenas até aos 24 graus Celsius. Já no
interior, prevê-se sol, com o termómetro mais próximo do que seria de se
esperar para a estação. Évora, no sábado, pode chegar aos 31 graus.
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